Portfolio: Revista Gestos

Matéria - Revista Gestos
Ed.01/Nov/07
Publicação, elaborada para comunidade Surda.



A Conquista de um Emprego

“A complexidade desta tarefa”

Por Fernanda Ferreira

A busca por uma vaga no mercado profissional é muitas vezes desgastante. A “tão sonhada entrevista” pode se transformar em um “terrível pesadelo”.

Para o deficiente a colocação no mercado profissional torna-se mais seletivo. Nas vagas disponíveis para os surdos é informado o nível de surdez (surdo parcial leve, ou total) que a pessoa deve ter para ocupar o cargo.

Em instituições ligadas ao serviço público a Lei nº. 8666/93 art.29, inciso XX, com as alterações da Lei nº. 8883/94 (Lei das concorrências públicas) dispensa a empresa de proceder a uma concorrência pública para contratação desta mão de obra. Nas empresas privadas a Lei nº. 8.213/91 determina que disponham a reserva de vagas entre 2% a 5% para pessoas portadoras de deficiência sobre o número total de funcionários.

Sendo assim, apesar de “seletivo” não se torna “impossível” ocupar uma dessas vagas. Em seu segundo emprego, Mayra Garcia, 22, Auxiliar Administrativo da área de Recursos Humanos, conta sua experiência: “No primeiro emprego trabalhei na área de produção numa empresa de gráfica, a experiência foi boa, mas os benefícios e salário eram péssimos. Saí da empresa por não estar satisfeita e não é adequada para o meu futuro profissional. Foi o 1º passo da carreira”.
Foto Arquivo Pessoal - Mayra Garcia

A comunicação na empresa é adaptada conforme o conhecimento dos funcionários. Sendo em LIBRAS para aqueles que têm o domínio da língua ou até mesmo gestos.

Os benefícios oferecidos dos funcionários são geralmente: Vale Transporte, Vale Refeição, Assistência Médica, Seguro de Vida e oportunidade de crescimento.

Atraído por essa oportunidade, Daniel Lopes Viana, 25, trocou o emprego anterior pelo atual em que trabalha 8h por dia, sendo operador de máquinas em uma metalúrgica do segmento automotivo, fazendo peças para freios de autos. “Gosto do que faço, porque sou tratado igual aos outros.”

Foto Arquivo: Daniel Viana

A FENEIS – Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos – e ao longo dos anos tem aberto as portas para o surdo em diversas empresas e instituições, que cada vez mais constatam a sua capacidade produtiva. Esclarecem para o funcionário surdo a filosofia institucional, a fim de obter resultados satisfatórios e corresponder às expectativas do contratante. A experiência do trabalho com o profissional surdo, possibilita às empresas uma projeção maior no campo social.

Dicas para entrevista
Após o envio de vários currículos chegou o esperado dia em que você irá participar de uma seleção para o cargo pretendido. Prepare-se! Saiba o que “Não” fazer em uma entrevista de emprego.

- Não chegue atrasado, se possível chegue uns 10 ou 15 minutos antes do horário marcado.
- Não cometa excessos na roupa, no perfume e nos acessórios. Seja discreto (a)! Use roupas sóbrias, mas confortáveis, sempre de acordo com o seu nível hierárquico, área profissional e também de acordo com a cultura da empresa.
- Não chegue totalmente "cru" na entrevista. Visite o site da empresa, conheça o objetivo da empresa, tipos de produtos e serviços, concorrentes e particularidades do mercado.
- Não minta. Jamais. Todo o seu histórico profissional poderá ser investigado - a maioria das consultorias faz isso. Coloque suas experiências de forma clara e objetiva.
- Não fale mal das outras empresas que você trabalhou. Isso também vale para o ex-chefe e colegas de trabalho
- Não use gírias, brincadeiras de baixo calão e palavrões na entrevista, por mais informal que seja o entrevistador.
- Não ignore perguntas ou mude de assunto de repente. Se você não sabe a resposta para determinada questão, a melhor coisa é não inventar respostas ou tentar fugir. Seja sincero (a) e diga que não tem muito conhecimento sobre esse assunto e prefere não opinar.
- Não invente desculpas ou culpados para as possíveis falhas que possam existir em sua carreira. Se o selecionador perguntar porque você saiu do último emprego e você foi demitido, coloque isso para o selecionador, explique a razão e pronto.
- Não questione sobre salário e benefícios até que o selecionador introduza o assunto.
-Não vá embora sem ter esclarecido todas as suas dúvidas sobre a vaga, suas futuras responsabilidades e metas.



Portfolio: Revista Gestos

Matéria - Revista Gestos
Ed.01/Nov/07
Publicação, elaborada para comunidade Surda.


Somos surdos sim, e daí?

"Seja pela fala ou pelos sinais...conversando a gente se entende"

Por Fernanda Ferreira

No Brasil, de acordo com a Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos (FENEIS), 14,5% da população é portadora de algum tipo de deficiência – entre eles, os surdos, uma comunidade muitas vezes esquecida.

Classificados como indivíduos não provenientes de Deus durante o Século XVIII, os surdos, assim como outros deficientes, eram excluídos da sociedade. Com o passar do tempo não se pode afirmar que todos os preconceitos foram eliminados, porém é notável uma evolução social.

Uma pessoa pode fechar os olhos e mover-se na total escuridão, e com isso formar algum conceito sobre a natureza da cegueira; outra, que já esteve temporariamente prejudicada por algum problema ortopédico, consegue ter alguma idéia do que enfrenta um deficiente físico. Entretanto, ninguém pode reproduzir a situação de uma pessoa com déficit auditivo grave, mesmo que feche os ouvidos com tampões.

Freqüentemente, as pessoas associam surdez à mudez, esquecendo-se que ser “surdo” não implica ser “mudo”. A mudez é uma outra deficiência, totalmente independente da surdez. Basta lembrar que, por meio de exercícios fonoaudiólogos, um surdo pode aprender a falar – e, neste caso, são chamados “surdos oralizados”. Também há possibilidade de um surdo nunca ter falado, sem que seja “mudo”.

Visando uma comunicação com liberdade, os surdos utilizam a LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais), que pode ser compreendida por qualquer pessoa interessada em aprendê-la. Além da LIBRAS e do oralismo, também é usado o bimodalismo – que combina os sinais de LIBRAS e a fala, ao mesmo tempo.

Embora existam precedentes legais solicitando aos tribunais que forneçam intérpretes gratuitos para surdos, somente poucos estados transformaram em lei essa requisição. Mesmo com intérpretes competentes, o abismo lingüístico apresenta problemas graves. A linguagem de sinais dos surdos carece de equivalentes vocabulares precisos para muitos termos legais corriqueiros.
Estes problemas de comunicação, de auxílio e suporte aos surdos, podem ser superados quando, em família, o indivíduo encontra incentivo e força para lutar por seus ideais.

O Consultor de Acessibilidade de Comunicação Visual para pessoas surdas e professor de Matemática e LIBRAS Neivaldo Zovico nasceu surdo e é um exemplo de perseverança, força de vontade e objetividade de vida.

Foto Arquivo - Prof. Neivaldo Zovico
Iniciou sua história acadêmica acompanhando o irmão mais velho, também surdo, em aulas numa escola especializada. Foi transferido para uma instituição municipal de ensino, mas após seus professores concluírem que possuía condições foi encaminhado a uma sala de alunos ouvintes – e isto representou um grande desafio para ele, pois não havia intérpretes que o auxiliassem no entendimento das aulas.

Alguns anos após concluir o ensino médio, Neivaldo foi convencido por uma amiga a entrar numa faculdade, se informou sobre professores aptos a ensinar surdo e optou por cursar Matemática. Logo após a conclusão, foi convidado a ensinar LIBRAS no Instituto Santa Terezinha.

Atualmente, Neivaldo é o responsável pelo setor de comunicação do site www.surdo.com.br, que divulga informações e atividade importantes relativas à comunidade surda, visando que a sociedade tenha conhecimento amplo e diminua o preconceito ainda existente.

Foto Arquivo - Neivaldo Zovico: Palestra em Limeira,15/07/2004

O maior sonho do professor é que a sua comunidade seja aceita pela sociedade, e que os ouvintes percam o medo de se comunicar com o surdo simplesmente pelo desconhecimento de LIBRAS. Sua mensagem é clara: “Vamos continuar a luta para garantir nossos direitos de comunicação. Nunca deixemos de batalhar, pois todos somos Iguais, conforme artigo V da Constituição Federal.”

Dicas Conscientes
· Quando quiser falar com uma pessoa surda, se ela não estiver prestando atenção em você, acene para ela ou toque, levemente, em seu braço.

· Quando estiver conversando com uma pessoa surda, fale de maneira clara, pronunciando bem as palavras. Use a sua velocidade normal, a não ser que lhe peçam para falar mais devagar. Gritar nunca adianta.

· Fale de frente para a pessoa, não de lado ou atrás dela.

· Faça com que a sua boca esteja sempre visível. Gesticular ou segurar algo em frente à boca torna impossível a leitura labial.

· Seja expressivo ao falar. Como as pessoas surdas não podem ouvir mudanças sutis de tom de voz que indicam sentimentos de alegria, tristeza, sarcasmo ou seriedade, as expressões faciais, os gestos e o movimento do seu corpo serão excelentes indicações do que você quer dizer.

· Enquanto estiver conversando, mantenha sempre contato visual, se você desviar o olhar, a pessoa pode achar que a conversa terminou.

· Nem sempre a pessoa surda tem uma boa dicção. Se surgir dificuldade para compreender o que ela está dizendo, não se acanhe em pedir para que repita. Geralmente as pessoas surdas não se incomodam de repetir quantas vezes for necessário para que sejam compreendidas.
· Se precisar, comunique-se através de bilhetes. O importante é se comunicar. O método não é importante.

· Quando a pessoa surda estiver acompanhada de um intérprete, dirija-se à pessoa surda, não ao intérprete.

Portfolio: Revista Metrópole

Matéria – Revista Metróple
Edição: Julho/07

Público Acadêmico - UniRadial


Tradição e Qualidade servidos na Esquina
Por Fernanda Ferreira

"Um antigo balcão de madeira, chopeiras gigantes, casa cheia, em som ambiente:
Desce mais um chopp, canapé e bolinho de bacalhau! Seja bem vindo ao Bar Léo!"
Foto: Fernanda Ferreira

Meados dos anos 40, no centro de São Paulo é inaugurado o estabelecimento sem nome e placa que conquistou e ainda conquista uma fiel clientela.

Ponto de encontro de alemães, suecos e até delegados conceituados: Paulo Pestana, Franco do Amaral e Moraes Neves. Em uma das etiquetas do bar, não permitia a presença de “damas”, pois nos “casarões” das proximidades habitavam “mulheres de vida fácil”.

Apesar de ser tradicional, ao longo desses 66 anos de história, mudaram algumas regras: o perfil dos clientes era terno e gravata hoje está liberado, inclusive a entrada feminina, porém o nível continua sendo de pessoas selecionadas.

Quem faz parte da história...
Olhos miúdos, rosto cansado e simpatia são algumas das características de Luis de Oliveira, 85 anos, que trabalha há 44 anos no Bar Léo.

Foto: Fernanda Ferreira

Tudo começou no balcão, conhecido pelos famosos canapés, atualmente ele está no atendimento aos clientes na entrada da casa. Apesar de fechar cedo, o bar conquista os seus clientes pela qualidade no atendimento.


Cartão Postal
Queijo parmesão, bolinho de bacalhau, canapés, principalmente o hackpeter feito de carne crua, entre outros, fazem parte do cardápio que pode ser degustado com o entitulado “melhor chopp da cidade”.

O segredo do título? “O chopp tem que ser caprichado, aqui mantém essa tradição. Chopp novo, bem tirado e não tem nada de sobrar, aproveitar, joga fora! Por isso que aqui o chopp é bom”.Comenta, Sr. Luís de Oliveira.

O chopeiro oficial Joaquim Fernando Lopes, 44 anos, trabalha há 17 anos no Léo . Com 5 cm de um cremoso colarinho e temperatura 0ºC, no verão é servido aproximadamente 2800 chopps (por dia), caindo no inverno para 1000 chopps.

Foto: Fernanda Ferreira

Com colarinho ou sem?
Segundo as pérolas do Bar Léo para quem prefere chopp sem colarinho: "Aqui o chopp é assim, se você não gosta não tem problema, na padaria vende cerveja sem colarinho, basta atravessar a rua".

De origem francesa, o chopp é um tipo de cerveja muito conhecido no Brasil. Segundo os mestres cervejeiros, ele deve ser servido gelado, mas não a ponto de prejudicar a degustação. Aceito por uns e evitados por outros, o colarinho é um importante componente da bebida, devendo possuir a medida de três dedos, ou três centímetros, impossibilitando a interferência do calor em sua temperatura, agindo como isolante térmico entre o calor do ambiente e o frescor da bebida. A espuma é composta por partículas de bebidas intercaladas por gás carbônico (CO2) que tem as propriedades que evitam que o chopp esquente rapidamente.

Falamos de canapé, bolinho de bacalhau, entre esses e outros do cardápio corinthiano de Hermes da Rosa é o que faz com que esse botequim simples na rua Aurora está a 66 anos servindo qualidade aos seus clientes.

Ficou com água na boca? Vale a pena conferir só não esqueça do horário porque para quem insistir em ficar mais um pouco...

"Vocês não têm família? Vão pra casa!".

Serviços:
Bar Léo
Rua. Aurora, 100 – Tel: (11) 3221-0247.
Horário: Seg. à sexta: das 11h as 20H30 e sábado: das 10h45 às 16h.